
FOB e CIF na importação: o que muda na cotação da China
O que muda entre FOB e CIF na cotação da China, onde o risco passa para você e o que a norma brasileira diz sobre o DDP.
Por Hasan Olwan · Atualizado em 03/11/2026
A fiscalização de importação apertou em 2026, e o recado vale para quem vende online: carga mal declarada, produto sem certificação e nota fiscal duvidosa viraram motivo de apreensão. Neste guia, vemos o que as autoridades encontraram, o que muda com o fim da “taxa das blusinhas” e o que conferir antes de fechar o próximo pedido. Não é orientação jurídica nem tributária: as regras mudam e cada empresa tem a sua situação.

Quatro casos deste ano ajudam a entender onde a fiscalização de importação está olhando. Em cada um, os fatos abaixo vêm das autoridades ou da imprensa, e as investigações podem ainda não ter terminado.
Em duas fases, em setembro e outubro, a Receita Federal apreendeu nove contêineres vindos da China no Porto do Rio: 135 toneladas, avaliadas em R$ 63 milhões. Os documentos declaravam mercadoria de baixo valor agregado, mas os itens declarados ocupavam só a parte frontal. No fundo estavam brinquedos, pelúcias, bonecos colecionáveis, cartas de jogos e canetas ligados a franquias conhecidas, com indícios de falsificação e brinquedos sem a certificação obrigatória do Inmetro.
O caso começou em uma análise de risco que achou inconsistências nas informações declaradas. Ou seja, o problema apareceu nos dados antes de aparecer no contêiner.
Em março, a Anvisa fez uma ação no centro logístico do Mercado Livre em Cajamar (SP), voltada aos produtos da entrega Full. Foram 2.517 unidades com irregularidades, entre medidores de pressão, lubrificantes íntimos, probióticos, suplementos e termômetros. Entre os problemas apontados estavam falta de registro, rótulo em idioma estrangeiro em produtos de saúde e ausência de certificação do Inmetro.
Para o vendedor, a lição é direta: entrar no depósito da plataforma não torna o produto regular.

Em abril, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal deflagraram uma operação contra corrupção na alfândega do Porto do Rio. Segundo a Receita, o esquema investigado envolveu R$ 86,6 bilhões em mercadorias entre julho de 2021 e março de 2026, e 25 servidores foram afastados dos cargos por ordem judicial. A investigação inclui importadores e despachantes, e a Receita informou que vai revisar as operações irregulares do período.
Por isso, desconfie de quem promete liberar a sua carga “por fora”. Esse tipo de atalho pode voltar a pesar anos depois.

Também em abril, a Receita e a Polícia Federal deflagraram a Operação Platinum contra um grupo suspeito de movimentar cerca de R$ 1 bilhão. A investigação aponta compras no Paraguai e revenda de celulares e outros eletrônicos em marketplaces. Segundo os investigadores, o grupo usava empresas de fachada para emitir notas frias, e alguns integrantes vendiam cursos e mentorias sobre importação nas redes sociais para parecer legítimos.
Em outubro, a Operação Dux, da Polícia Federal, mirou outra rede suspeita de importar eletrônicos de forma clandestina, com movimentações acima de R$ 460 milhões.

Os casos acima mostram um padrão: a fiscalização de importação pode começar pelos dados, não pelo contêiner. A Play Fake nasceu de uma análise de risco que encontrou inconsistências nas informações declaradas. Quando os dados não fecham, a carga pode ir para a conferência física, e aí descrição, quantidade e valor precisam bater com o que está lá dentro.
Para o lojista, a lição é organizar os papéis antes do embarque, não depois de um problema.
Guarde tudo por pedido, em uma pasta só. Assim, se alguém perguntar, você mostra a origem da mercadoria sem depender da memória. Esta não é uma lista oficial: confirme o que vale para o seu caso com o seu despachante.
A Lei 15.502, de setembro, autoriza zerar o Imposto de Importação nas compras internacionais de até US$ 50. O ICMS continua sendo cobrado.
Essa regra é para encomendas de consumidores, não para abastecer o seu estoque. A Presidência informou que o governo poderá criar limites de quantidade e de frequência, além de controles contra o fracionamento de remessas e o uso do regime para fins comerciais ou de revenda.
Para o lojista, o efeito é a concorrência. Dados da Receita compilados pela Abit, entidade que se opõe à medida, mostram 26,5 milhões de encomendas em agosto, contra 15,2 milhões um ano antes. Em produto barato e sem diferencial, você disputa com quem vende direto do exterior. Vale fazer a conta do produto, do frete e dos impostos antes de decidir, porque o volume nas plataformas não garante margem para o seu item.

Cinco pontos resolvem boa parte do risco, e todos vêm antes do pagamento.
A OLWAN atua na China: encontra e verifica o fornecedor, faz a inspeção de qualidade e acompanha o embarque, com 19+ anos de experiência (desde 2007) e 4.000+ contêineres. Fazemos também uma checagem preliminar de ANVISA e INMETRO, que não é aprovação oficial. A classificação fiscal e a conformidade final continuam com o importador e com profissionais habilitados, como o despachante aduaneiro.
Para receber a carga no Brasil, veja as opções de importação porta a porta e o guia do RADAR Siscomex.
Não. A Play Fake envolveu cargas da China, mas a Platinum, por exemplo, investiga compras no Paraguai. O que chama a atenção é a irregularidade, como divergência na declaração, falta de certificação ou falsificação.
É a perda da mercadoria para a União, prevista na legislação aduaneira para certas infrações. Se isso acontecer com a sua carga, procure logo um despachante aduaneiro ou um advogado, porque existe prazo para se defender.
Não é para isso. O regime foi criado para compras de consumidores, e o governo pode aplicar controles contra o uso para fins comerciais ou de revenda. Para vender no Brasil, planeje uma importação regular.
Não. A ação da Anvisa em Cajamar foi justamente sobre produtos da entrega Full. O produto precisa estar regular, seja qual for o depósito.
Confira o produto antes de pagar, declare exatamente o que está na carga e guarde os documentos de cada pedido. Para o seu caso, consulte um despachante aduaneiro ou um advogado.
Quer revisar o próximo pedido antes de pagar a fábrica? Fale com o Moin no WhatsApp ou peça um orçamento com o produto e a quantidade.

O que muda entre FOB e CIF na cotação da China, onde o risco passa para você e o que a norma brasileira diz sobre o DDP.

Sete sinais de alerta, seis checagens antes de pagar e o que fazer se você já transferiu o dinheiro a um fornecedor chinês.